sexta-feira, 27 de abril de 2007

A ergonomia insólita do PC e suas implicações para o design

Para que proporcionemos uma boa experiência para o usuário, é importante levar em conta os fatores ergonômicos no momento em que ela ocorre. Vamos esperar pelo pior porque se as condições forem mais favoráveis, o usuário só tem a ganhar. Uma interface facilitada para usuários com graves problemas não deixa de ser agradável para usuários com fatores mais favoráveis. Os principais fatores, na minha opinião, são:

postura
iluminação
poluição sonora
temperatura ambiente
possíveis problemas de saúde
Tá, todo mundo sofre com esses problemas, mas nem por isso deixam de navegar por um website. Porém, a soma desses fatores tem influência sobre o comportamento do usuário. Diria que é através da sua compreensão, que entendemos porque temos tanta pressa em ler textos no monitor, por exemplo. Veremos os problemas primeiro, depois as consequência deles.
Postura
A quantidade de pessoas com problemas de coluna na sociedade urbana é enorme. Quem é sedentário dificilmente escapa de uma lordose ou lombalgia esporádica. Esse mal afeta até mesmo os mais jovens, principalmente aqueles que trabalham sentados por horas. Nesse perfil se encaixa a maior parte do público da Internet brasileira e, se estamos projetando um website institucional cujo público são parceiros comerciais, pegaremos o usuário no momento em que ele trabalha. E é nesse momento em que a coluna está mais tensa.
Muita gente trabalha sentado em cadeiras baratas, sem o devido projeto anatômico. Algumas até tem as cadeiras boas, mas por costume sentam em postura errada. Outros tem cadeiras boas, mas as mesas são estreitas e não há espaço suficiente para esticar as pernas. O corpo humano não foi feito para ficar horas parado nas mesma posição e quando damos aquela "ajeitada", desviamos a tensão de alguns músculos para outros. Isso é muito bom e importante, mas há ambientes apertados onde se articular é complicado ou até mesmo proibido. Um funcionário numa posição que lhe parece confortável pode parecer desleixado às vistas de supervisores e clientes. Nada mais "estético" do que uma fileira de funcionários todos sentados na postura padrão indicada pelos especialistas: coluna suavemente ereta e com os pés bem apoiados no chão ou num suporte. É ruim, hein?

Pior, pouquíssima gente faz os alongamentos recomendados para amenizar a tensão por conta própria. Algumas grandes empresas estabelecem programas de ginástica laboral, mas isso é só uma porcentagem minúscula do contigente de trabalhadores de escritório.
Já os usuários caseiros, estão numa situação pior ainda. A maioria não investe em mobília anatômica, até porque não usam o computador com tanta frequência que justifique o investimento. Vou contar uma história típica para ilustrar, talvez você já tenha presenciado algumas dessas situações:
Comprado o tão-sonhado computador, agora só falta a escrivaninha. Nesses primeiros dias, dá pra ir usando ele apoiado nas caixas, sentado no chão mesmo. Quando chega a escrivaninha, com gavetas e armarinho embutido mas sem elevação para o monitor, a intenção é que se guarde apenas os objetos referentes à atividade computacional. Porém, conforme vai passando o tempo, ela se torna a mesa de estudo do estudante da casa, a mesa de fechar as contas e até um improvisado apoio para o copo de guaraná e o sanduíche. Em breve, a escrivaninha está entulhada de joysticks, papéis e coisas. Até mover o mouse ficou complicado. Mais: os novos periféricos tem que caber na mesma mesa: impressora, scanner, caixas de som, microfone. E desde que o computador chegou, uma cadeira velha de madeira que estava sobrando é usada como assento.
Insólito não? Mas confesso que já passei por situações como essa. Claro que a mobília inadequada causa desconforto, mas o uso inadequado dela causa ainda mais. Imagine um usuário que costuma anotar senhas em pedaços de papel numa escrivaninha dessas? Imagine outro que sente necessidade de anotar todos os passos para realizar uma determinada tarefa de um software para não esquecer? Isso sem falar no que imprime textos de websites. Pode não acontecer com você, mas saiba que tudo isso é muito comum.

É muito difícil encontrar também boa iluminação para o trabalho no ambiente caseiro. Um problema bem comum são os reflexos eventuais na tela do monitor. A escrivaninha do computador não é um móvel tão pequeno que seja fácil manejá-lo para que esteja livre da luz das janelas e dos demais aposentos. O excesso de iluminação do ambiente faz com que a luz emitida pelo monitor pareça mais fraca ao nosso olho. O contraste é menor e, consequentemente, a legibilidade.
No trabalho, onde fica mais visível a perda de produtividade por esse fator, o cuidado é maior. Porém, iluminação perfeita é um custo a mais para os empregadores e por isso alguns negligenciam usando apenas luzes frias nas salas de trabalho ou em baixa quantidade. A luz fria é barata, mas ruim porque tem o espectro de cores menor que a luz incandescente. Isso a torna incompleta. Na verdade, o ideal é a combinação das duas.
As lâmpadas fluoerescentes quando estão velhas podem apresentar leve tremulação que só pode ser percebida com muita atenção. Mesmo que a frequência das piscadas seja imperceptível, pode causar cansaço ao usuário. Porém, só são trocadas quando queimam de vez ou a duração das piscadas seja tão grande que impeça o trabalho. Experimente ligar e desligar repetidamente a luz de uma sala (não me responsabilizo por lâmpadas queimadas!) e ler um papel ao mesmo tempo. É desconfortável porque a pupila se contrai e distende a cada variação brusca de iluminação.
Esse mesmo fenômeno de tremulação também acontece com os monitores. Os mais modernos passam dos 60 Hz de frequência facilmente, mas os sistemas operacionais indicam essa frequência como padrão por segurança. Nesse número é perceptível à oscilação se deslocamos o foco da visão para logo ao lado do monitor. Se você ainda não verificou se seu monitor aguenta frequências maiores de atualização (refresh-rate), experimente aumentá-la para ver se funciona. Quanto maior a frequência, menor o cansaço dos olhos e maior o conforto. Faça o teste!
Falando em ajuste, monitores diferem muito na sua regulagem de contraste, brilho e matiz (cor). Em casa, se os monitores estão desregulados, ninguém liga; a maioria das pessoas nem percebe. O brilho desregulado pode fazer diferentes tonalidades escuras mesclarem-se. Já contraste fraco torna difícil de distinguir todas as diferenças entre cores. Esses dois podem ser regulados diretamente pelo usuário até um certo ponto, mas a matiz não. Na maioria dos monitores a quantidade de vermelho, verde e amarelo (RGB) só pode ser alterada mexendo nas entranhas do monitor. Pequenos desajustes de matiz não interferem na legibilidade, mas podem garantir que o efeito emocional das cores tencionado pelo designer caia por terra. Embora o olho humano tenha um excelente ajuste de branco, ou seja, percebe as cores de acordo com as que estão em volta, o amarelo não vai ter o mesmo efeito psicológico se for exibido meio alaranjado.
Com o tempo, todos os monitores ficam desregulados, uns mais, outros menos. O designer precisa entender isso. Precisa desapegar do resultado final, projetar para que a combinação de cores seja efetiva mesmo sobre condições adversas. Não espere que os usuários entendam e sigam instruções como essa do site da Fluor Rich Media:

Leia a materia completa em:
http://www.usabilidoido.com.br/a_ergonomia_insolita_do_pc_e_suas_implicacoes_para_o_design.html

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